domingo, 28 de março de 2010



FILHOS
Ter filhos não é fácil. Para cada um deles temos que dar uma parte de nós. Quando é um só, dá até para administrar mais ou menos. Mais do que um, eles te levam a vida inteira e acaba sobrando muito pouco dela para você mesmo.
É muita preocupação, se você for de fato um pai. E acho que a parte mais difícil da paternidade nem é a infância dos filhos, mas a idade adulta, quando eles nos trazem problemas mais complexos, suas dúvidas, aflições, e nem falo de problemas mais mundanos como dinheiro, essas coisas, que isso não importa.
É que, muitas vezes, a gente nem sabe como aconselhar, ou se deve aconselhar, meter-se na vida de um filho, pois, apesar de a gente querer ajudar, de boas intenções o inferno está cheio, como dizem.
E então você se pega matutando sobre os problemas de seus filhos quando, muitas vezes, não dá conta nem dos seus. É que, quando eles sofrem, a gente sofre junto; quando amam, a gente ama; quando têm dúvidas e não sabemos elucidá-las para eles, sentimo-nos perdidos.
É sublime e apaixonante ser pai, ao menos para mim. Não vivo sem meus filhos, mas aterroriza-me saber que, para eles, viver sem mim seria muito mais fácil, pois os pais são apenas a funda que lança os filhos ao mundo. Além do que, também morro de medo de não ser o pai que devo ser.
Se você não tem filhos, tenha um. Talvez dois, se gostar de viver perigosamente. Mas não tenha mais, porque você não sabe se poderá se dividir em tantas partes. Eu mesmo tenho minhas dúvidas sobre se tenho conseguido me dividir como deveria.